Um canto do livre pensamento


stormion @ 18:51

Ter, 01/05/12

1º de Maio, dia do trabalhador, feriado nacional. Não poderia pois haver melhor dia para ir às compras ao Pingo Doce. Wait, what?!

 

Naquela que é a nossa nova tradição do 1º de Maio, os supermercados abriram as suas portas. E os sindicatos lá acusaram os patrões de obrigar os trabalhadores a trabalhar, recorrendo a chantagem. E os patrões responderam que não, é tudo mentira. Só que este ano o Pingo Doce juntou-se à festa e adicionou uma promoção: 50% de desconto em compras acima dos 100€.

 

E o resultado disto é algo digno de um país de 4º mundo (sim, ainda pior que o 3º). Desde agressões, polícia nos supermercados, tiroteios, pessoas a alugar carrinhos a 10€ e gente a gastar 1400€ em compras. E obviamente que também tinha que estar lá no meio.

 

É verdade, eu também lá estive naquele que, pelo que vejo na televisão e redes sociais, foi o Pingo Doce mais civilizado de Portugal. Sim, haviam filas enormes. Sim, estavam prateleiras vazias. Sim, esgotaram produtos. Sim, os carrinhos eram a conta-gotas (veja-se que a senhora que ficou com o nosso até nos ajudou a por as compras no carro!). E, no entanto, ninguém andou à porrada pelo último bacalhau.

 

 

Por outro lado, ontem estive naquilo a que os srs. da Associação Académica de Lisboa (AAL) designam por Monumental Serenata. Uma bonita desgraça ao nome da Academia de Lisboa e da cidade, isso sim é o que aquilo é.

 

Primeiro pelo espaço onde se realizou: o Terraplano de Santos. Um nome pomposo para um beco atrás de uns armazens. Culpa a AAL a CML do espaço mas pelo que vi se eu fosse o presidente da CML também não lhes deixava usar um espaço como a Praça do Municipio ou o Terreiro do Paço para desgraçar o nome da cidade.

 

Depois, pelo bonito respeito que se teve pelo momento. Eu não sou muito de ligar às tradições académicas mas uma serenata é um momento de silêncio e respeito pelas tunas que estão a tocar. Mas não, o que interessa é fazer barulho e entrar para lá a gritar IST (sim, grande parte da contribuição para a vergonha veio de onde eu estudo e nunca tive vergonha de ser estudante do IST até ontem).

 

E, como é óbvio, a agradável convivência com gente que tinha sangue no álcool que torna aquilo que deve ser um momento solene em algo que mete nojo.




stormion @ 22:35

Qui, 15/03/12

QUE O SPORTING ESTÁ NOS QUARTOS!!!

 

E agora oh Dzeko, já não sabes quem é que nós somos e quem são os nossos jogadores? Ou já aprendeste todos?




stormion @ 10:45

Dom, 11/03/12




stormion @ 10:50

Ter, 28/02/12

 

I was there :D


A ouvir: Dream Theater - Pull Me Under


stormion @ 21:55

Seg, 27/02/12

Aviso: apesar de isto ser um blog com uma linguagem pseudo-familiar, este post é uma excepção à minha norma de não utilizar palavras feias. Estamos a falar de Metal caramba, isto não é para meninas!

 

Ontem fui assaltado. E ainda bem! "Assaltado e está feliz? Este gajo não é normal..." Fui assaltado por uma entidade denominada ESLI (Estacionamentos de Lisboa), que fez questão de me "roubar" 13,90€ por 7h30m de parque nos Restauradores. É verdade, fui ontem ao Coliseu dos Recreios (ou Coliseu de Lisboa para quem não for daqui da zona) ver o meu primeiro concerto de Metal. E para começar bem, foi do sub-género que eu prefiro: Progressive Metal. E, para colocar a cereja no topo do bolo, a minha banda preferida: Dream Theater.

 

Fui ver os Dream Theater ao Coliseu, paguei um balúrdio de parque e fiquei feliz com isso. Fiz, como se vê no título, um lindo trocadilho que já diz a minha opinião sobre esta A Dramatic Tour Of Events. Fui para as portas do Coliseu eram 17h, onde me juntei às pequenas filas que se formavam em cada uma das entradas. Pequenas filas essas que acabaram a descer a Rua das Portas de Santo Antão de tal forma que, da porta do Coliseu, não se avistava o fim. E acabando a minha história de roubos e esperas, vamos lá dissecar o concerto.

 

Para abrir foi escolhida uma banda que a Wikipédia descreve como sendo de Progressive Metal, mas que até a minha mãe a cantar Andrea Bocelli é mais Progressive Metal que aquilo. Devo dizer que, ao fim de 19 anos de vida, encontrei a pior merda que fui forçado a ouvir até aos dias de hoje. Davam pelo nome de Periphery. Aquilo é tão mau que até doi. E, como se não bastasse, para ajudar à festa eu estava à frente de um subwoofer, o que fez com que a única coisa que eu ouvisse fosse o bombo da bateria e o baixo.

 

Ainda falando sobre o som no Coliseu, há que dizer que mesmo à frente de um subwoofer e com o sistema de som todo em cima de mim (afinal de contas se eu fui para as portas do Coliseu às 17h foi para ficar à frente e não porque gosto muito muito muito da ESLI) o som continua a ser estupidamente melhor que o do Altântico.

 

Mas deixando de rodeios, vamos lá ao que interessa: os Dream Theater. Tenho que começar com as minhas três conclusões da noite de ontem: o Petrucci não é um ser humano, o Mangini é uma besta na bateria e o Rudess tem uma barba respeitável. Duas em três têm a ver com música, o que já não é mau. Fiquei de tal forma perto do palco que não tive problema nenhum em ver cada um dos dedos do Petrucci a tocar e foi isso que me levou a concluir que, com aquela velocidade toda, o senhor não é humano.

 

Os DT (Posso dizer DT para abreviar? Claro que posso, isto é meu...) abriram o concerto com um vídeo ao som do brilhante Dream Is Collapsing do Hans Zimmer (sim, a música da banda sonora do Inception) onde se apresentava John Myung como um ninja, John Petrucci como um deus, James LaBrie como um pirata, Jordan Rudess como um mago e Mike Mangini como um génio da lampada. Como se isto não fosse suficiente, a acção do filme, que descrevia a vida das personagens até serem chamados pela luz dos DT e embarcarem num avião em direcção a Lisboa era absolutamente hilariante.

 

 

A primeira música destas 2 horas que os DT nos ofereceram foi a Bridges In The Sky (do álbum A Dramatic Turn Of Events, que oferece o seu nome à tour). O que por si já é uma boa maneira de abrir um concerto. Depois voltou-se uns bons anos atrás (ou seja, 16) aos tempos do Awake (aquele que, durante bastante tempo, foi o meu álbum preferido) com a 6:00. E depois disto o festival voltou a uma das que eu considero ser das melhores músicas do ADTOE: Build Me Up, Break Me Down.

 

Continuou-se o festival do regresso ao passado e voltámos ao ano de 1992 (ao ano em que eu nasci) com o brilhante álbum Images and Words e a música (não tão brilhante mas isso perdoa-se mais para a frente) Surrounded. Fomos depois para o álbum de onde surge a minha música favorita (que infelizmente não foi tocada) e que lhe dá o nome: Octavarium com a brilhante (mas deste álbum, qual é que não é?) The Root Of All Evil.

 

 

E aqui voltamos ao início do meu post: o Mangini é uma besta. Foi depois da The Root Of All Evil que o sr. Mike Mangini nos demonstrou porque é que foi escolhido para baterista dos DT com um magnífico solo de bateria que deixou a audiência a gritar Mangini no fim dele. Sim, foi assim tão bom. E sim, o Mangini é mesmo, mesmo, mesmo muito bom.

 

E depois deste solo de bateria fiquei a fazer figura de parvo durante uma música. Os DT decidiram ir aos tempos em que eu não era nascido e desenterrar a Fortune In Lies do When Dream And Day Unite (que, no que me toca, deve ficar bem enterrado até ao dia em que eles decidam voltar a gravá-lo com o LaBrie na voz). E depois disto volta-se ao ADTOE e toca-se aquela que, para mim, é a melhor música do album: Outcry.

 

Vimos então LaBrie e Petrucci ocuparem o centro do palco, sentados. Um de guitarra acústica e o outro com o seu microfone. Acompanhados, ao fundo, por Rudess no teclado e Mangini na bateria. Entravamos no modo acústico com a The Silent Man (de volta ao Awake) e a Beneath The Surface do ADTOE.

 

 

Continuando no ADTOE, era a vez da On The Backs Of Angels surgir do baú e ser interpretada. E, como não podia faltar, aparece o Six Degrees Of Inner Turbulence representado pelas War Inside My Head e The Test That Stumped Them All.

 

 

E chegava um dos momentos que eu mais esperava num concerto dos DT. Estava na hora de tocar no Metropolis, Pt. 2: Scenes From A Memory. Peço desculpa senhores auto-proclamados fãs de DT mas o Metropolis é, na minha opinião, o melhor álbum dos DT e quem não o achar é um idiota e uma besta. E como se não chegasse terem tocado a The Spirit Carries On (apesar de eu preferir que tivessem tocado a Home), ainda fizeram questão de lhe colar um belo solo do Petrucci e do Rudess à entrada.

 

 

E, para terminar, tocaram a Breaking All Illusions do ADTOE.

 

 

Terminar como quem diz. Já se sabe que a banda sai de palco apenas para regressar passados uns 2/3 minutos para o encore. E aos DT não se podia pedir mais nada quando entram em palco e começam a soar as notas iniciais do Pull Me Under (e daí eu ter dito que era perdoável o facto do Images and Words ser representado pela Surrounded) o que levou o público que enchia o Coliseu a quase o demolir.

 

E isto leva-me à questão do público. Em todos os concertos que tinha ido até agora, o estilo de música era o Rock dos senhores de 40/50 anos que, diga-se, fazem uma audiência bastante aborrecida. Ter uma audiência perto da minha idade, isso já é outra coisa. Desde puxar os músicos, a cantar a plenos pulmões até a mais aguda das notas ou saltar como se não houvesse amanhã, esta foi a melhor audiência com que já tive o prazer de partilhar um concerto.

 

E para quem duvidava que o Mike Mangini fosse bem acolhido pelos fãs de DT que andaram a aturar o Portnoy (e, para aqueles que ao pé de mim demonstravam a vontade que o Portnoy voltasse: não obrigado) durante 25 anos apenas tenho a dizer que, no fim do concerto, não foi Petrucci ou LaBrie que o Coliseu gritou (até porque gritar LaBrie era uma coisa digna de se ver), foi Mangini. Era o Mangini que o público queria ver (mais em particular) e foi o Mangini no seu melhor que tivémos.

 

E para concluir: quem não comprou bilhete porque se esqueceu é cocó e perdeu um concerto brutalíssimo! \m/


A ouvir: Dream Theater - A Dramatic Tour Of Events


stormion @ 11:20

Ter, 21/02/12

Durante uns minutos, o meu router (um dos) passou-se da cabeça e recusava-se a ligar, deixando-me sem Internet. E já que estamos sem net vamos lá experimentar esta coisa do Personal Hotspot do iOS5. E que funciona maravilhosamente. E já que estamos nisto, vamos lá ver a que velocidade é que um iPhone 4S ligado via 3G apenas com 2 barras me consegue dar...

 

 

E, quando finalmente, o sr. router depois de um reboot decidiu voltar à vida, lá testei a minha ligação por ADSL, aquela pela qual se paga todos os meses para ter 12Mbps...

 

 

E é assim que eu tenho que me aguentar a menos de 15Km do centro de Lisboa...




stormion @ 12:33

Dom, 19/02/12

Disclaimer: este artigo é uma espécie de artigo técnico onde não se explica os conceitos e exige conhecimentos na área da programação.

 

Os blogs já andam pelos lados da Internet há algum tempo. E neste momento estão tão simplificados que até um macaco treinado consegue ter um. Sim, ter um blog é assim tão simples! Mas, e para os programadores? Será que é assim tão fácil? O WordPress já vai na sua 3ª versão. O que quer dizer que já leva muita bagagem atrás. E se há coisa que a bagagem provoca é o fim da inovação porque tem que se garantir compatibilidade com plugins, temas e coisas do género.

 

Garantidamente que só depois de muito estudo das API do WordPress é que conseguiria fazer o que quer que seja para ele. E isto não me parece a forma correcta de o fazer. E foi com base nisto que comecei a pensar em aplicar os conhecimentos de programação com objectos a uma plataforma de blogging. Um motor simplificado

 

O que quero dizer com motor? O que quero dizer é que a plataforma devia ser um motor. Um motor único sobre o qual os vários fabricantes construíssem o seu carro. Mudando isto de mecânica para bits, um engine responsável pela comunicação com a base de dados e por fornecer APIs necessárias para mostrar os dados. E, por cima desse engine, as várias maneiras de mostrar os dados seriam construídas. Se pensarmos bem, isto pode ser feito sem qualquer espécie de OOP, mas a elegância e simplicidade que uma abordagem orientada a objectos nos permite faz com que seja estúpido não a abordar.

 

E é aqui que surge algo que durante meses andei a dizer mal: os padrões de desenho. Mais especificamente, o meu menos favorito: o Visitor. O padrão Visitor parece que foi feito de propósito para isto. Basta ver o que o padrão nos oferece: uma família de classes que é visitada (o motor) e uma família de classes que visita (o resto do carro).

 

E foi com base nesta ideia que lancei mãos à obra e comecei a desenhar em papel aquilo a que chamei ABBOV. ABBOV é A Blog Based On Visitors (Um Blog Baseado Em Visitors, portanto o UBBEM em Português, o que não é um nome muito bonito). E neste momento tenho um protótipo funcional capaz de ir buscar posts a uma tabela MySQL e disponiibilizá-los organizados em páginas para que se possa mostrar o conteúdo.

 

E devo dizer que consegui o meu principal objectivo: simplicidade. Em 2 dias consegui passar do 0 para um sistema que consegue mostrar um blog inteiro, uma página específica, mostrar tudo em RSS e gerar um ficheiro XML com o conteúdo do blog. Tudo isto sem que o motor faça a mínima ideia de como se mostra uma linha de texto ao utilizador.

 

O que é que isto nos permite fazer? Tendo em conta que o motor não faz a minima ideia de como se mostra uma coisa, pode-se adicionar funcionalidades à vontade que não vai provocar danos a não ser que se altere os valores de retorno de funções já existentes. Permite que o motor disponha de funções para tudo aquilo que uma pessoa se consiga lembrar num blog e que, no entanto, um blog específico só use aquilo que precisa, gerindo melhor os recursos. Da maneira como eu vejo que o motor do ABBOV pode avançar, até se podia construir o WordPress em cima dele. E isto quer dizer que é possível construir um modelo de plugins e temas num nível acima do ABBOV sem que o ABBOV saiba da existência deles.

 

E este ganho em flexibilidade nota-se quando se tem um index que produz um blog inteiro com apenas 6 linhas de código: 2 requires e um include, a criação de 2 objectos e a chamada a um método de um objecto. Nota-se também quando o HTMLVisitor, o visitor responsável por mostrar a página, apenas tem 3 funções. Aliás, qualquer um dos visitors apenas tem 3 funções obrigatórias, pela implementação da interface Visitor.

 

Concluindo, o ABBOV não é uma plataforma de blogging, é um motor sobre o qual se pode construir um blog com necessidades específicas ou uma plataforma genérica. O ABBOV é aquilo que se quiser fazer dele porque permite uma flexibilidade não existente em qualquer uma das grandes plataformas de blogging existentes no mercado como o WordPress ou nos produtos comerciais de blogging como o Blogger do Google ou até mesmo os Blogs do SAPO.

 

Em que ponto de desenvolvimento se encontra o ABBOV? Neste momento o ABBOV é capaz de ler informações de uma tabela de posts e fornecer aos visitors um blog inteiro organizado em páginas, das quais os visitors podem usar todas ou apenas uma específica e dentro das páginas mostrar os posts, que permitem mostrar o título e o texto, sem qualquer formatação.

 

No futuro espero poder vir a incluir os básicos de um blog como o texto formatado, hora e data de publicação, autor, tags e coisas desse género. Espero também que o ABBOV disponibilize uma API de ligação de utilizadores e uma API de introdução, remoção e edição de posts. Aquilo que não espero é disponibilizar uma solução integrada de motor e plataforma uma vez que o objectivo do ABBOV é separar as duas.

 

Posso experimentar o ABBOV? Sim. Neste momento, no site do projecto, já foi desponibilizado o Pre-Developer Preview #2. Pre-Developer Preview porque isto está num estado que ainda nem se pode chamar de Alpha, quanto mais de Developer Preview. Tendo em conta que o ABBOV não faz praticamente nada aquilo que disponibilizo é uma pequena proof of concept.

 

E para quem quiser avançar devo avisar que apenas publiquei as Pre-Developer Preview para quem quiser avaliar o projecto e talvez dar uma ajuda nele (se bem que por enquanto não estou a aceitar programadores para ajudar). Não se espera que seja possível alguém colocar a Pre-Developer Preview #2 a funcionar decentemente como um blog porque é impossível que ela o faça.

 

Por outro lado, as Pre-Developer Preview que forem sendo lançadas correspondem a estados fixos no desenvolvimento do ABBOV e poderão não reflectir a mais recente versão deste. Como tal, também disponibilizo um repositório SVN para que se possa obter a mais recente versão do ABBOV. No entanto, ao contrário das Pre-Developer Preview, que são pacotes sem bugs conhecidos, os ficheiros no repositório SVN poderão nem sequer funcionar, pelo que recomendo quem quiser experimentar e ver o que se passa no projecto a fazer o download das Pre-Developer Preview.

 

Apesar de nos pacotes não existir documentação, a Wiki do projecto inclui alguma documentação necessária para que se crie as bases de dados da forma correcta ou para alterar os ficheiros para funcionarem com BDs já existentes. Também contem os diagramas UML das classes como forma de documentação para a criação de visitors específicos.

 

Peço ainda a quem experimentar que, caso encontre algum bug ou queira deixar sugestões, recorra ao sistema de Issues na página do projecto para o colocar e para que possa ser tratado.

 

Abaixo está o site, onde se pode arranjar as Pre-Developer Preview, o código mais recente via SVN, a documentação na Wiki e o sistema de Issues. Ainda disponibilizo uma conta no Twitter para que se possa seguir mais facilmente as alterações ao projecto.

 

Site | https://code.google.com/p/abbov/

Twitter | @web_abbov


A ouvir: Dream Theater - Score


stormion @ 19:32

Ter, 14/02/12

Aquele momento estranho em que isto

 

 

ganha um Grammy na categoria em que isto

 

 

estava nomeado.

 

Como diria a sra. Nan (para quem não conhece, vá imediatamente ver o The Catherine Tate Show), "what a load of old shit"!




stormion @ 09:58

Sab, 11/02/12

Disclaimer: li o livro na versão portuguesa. Podem começar a atirar pedras mas foi o que se arranjou em papel porque detesto ler no computador.

 

Steve Jobs

 

Steve Jobs. Não o revolucionário responsável por nos mostrar que a tecnologia pode ser simples e intuitiva mas sim o livro sobre ele. A sua biografia autorizada escrita por Walter Isaacson. E não, não estou aqui para descorrer sobre todos os detalhes do livro e para o analisar. Apenas venho falar um pouco sobre a minha experiência de o ler.

 

O livro é verdadeiramente honesto sobre quem foi Steve Jobs. Sem floreados nem partes cortadas, mostra toda a sua personalidade forte (que é uma maneira simpática de dizer arrogante e ofensivo) sem qualquer censura. Fala da sua doença como até hoje nunca ninguém tinha ouvido. Mostra que o brilhante homem de produtos (como se gostava de chamar) não era um modelo de pai de família.

 

Tudo isto é escrito sem rodeios através das entrevistas feitas com pessoas próximas de Steve e até o próprio. E isso nota-se na escrita: não é algo vivido pelo autor, são relatos que lhe são feitos. Mas já nos últimos anos de vida vamos vendo como era conviver com Steve, escrito pelas palavras e experiências do autor e não apenas de quem lhas conta. Nota-se algo diferente.

 

E o culminar desta visão do autor é a 3ª recaída do cancro de Jobs. Walter Isaacson não se censurou e mostrou aquilo que via, um homem que em tempos fora um génio brilhante debilitado ao ponto de lhe ter que pedir, deitado na sua cama, que fosse buscar fotografias às suas gavetas para ele escolher para o livro. É esta uma das últimas imagens que nos deixa de Steve Jobs.

 

E é uma imagem de tal forma chocante, que vai contra a nossa imagem de Steve, a imagem de um homem sorridente a apresentar os seus produtos, com um ar saudável de quem tem a vida inteira pela frente. É uma imagem tão forte que me comoveu ao ponto de me fazer chorar (o que nunca tinha acontecido com livro nenhum ou com nenhum filme sem ser o Rei Leão quando eu tinha 3 anos).

 

Falou-se aqui há algum tempo que Walter Isaacson estaria a pensar em escrever um segundo volume de Steve Jobs. Apenas posso dizer uma coisa: não o faça. Steve Jobs é uma obra literária quase perfeita, que apesar de chocar no fim não mexe com a nossa imagem estabelecida de Steve, apenas lhe adiciona partes. Escrever um novo volume seria mexer nos últimos 2 meses de Steve Jobs (Jobs demitiu-se em Agosto e isso já é referido no livro). Seria desrespeitar a sua alma porque os seus 2 últimos meses não são merecedores de uma biografia e devem ser deixados sozinhos na memória da sua família e dos seus amigos chegados.

 

Para concluir este post coloco a citação final do livro, uma citação de Steve Jobs sobre a vida e a morte, dita já nos seus últimos meses de vida, sentado no seu jardim (num dos poucos dias em que o podia fazer, como Walter Isaacson nos dá a entender). É a maneira perfeita de terminar o livro e de terminar este post.

 

E ficou em silêncio durante muito tempo. «Mas, por outro lado, talvez seja como um interruptor», acrescentou. «Clique! E já está.»

Fez nova pausa e esboçou um sorriso. «Telvez seja por isso que nunca gostei de pôr interruptores nos dispositivos Apple.»




stormion @ 18:23

Sex, 10/02/12

Cá estou eu outra vez a falar do PL118 (desta vez até meti a hashtag no título). Por esta altura deve a SPA estar a pensar que este blog surgiu apenas para os criticar e falar mal deste projecto-lei, que sou pago pelo maestro da orquestra e meti aquele post do iPhone pelo meio só para enganar as pessoas. Não. Simplesmente desta vez não me dei ao trabalho de fazer um post introdutório onde escrevo promessas que nunca cumpro e tento ser engraçado sem o conseguir. E se só tenho falado do PL118 é porque actualmente não me parece que haja nada mais importante para escrever. Mas como a SPA já deve estar a ficar chateada, não os volto a referir neste post.

 

Pelo título dá para ver que me vou deixar de criticar o que se passa em redor do PL118 e vou criticar o que foi entregue à comissão parlamentar que está a tratar deste projecto-lei. Nomeadamente duas posições: a da AGECOP (Associação para a Gestão da Cópia Privada) e a da AGEFE (Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico e Electrónico). Trago estas duas posições (uma das quais é um memorando, porque é sempre mais fino) porque não podiam ser mais opostas uma da outra do que são. Comecemos então pela minha favorita, a da AGECOP.

 

Num memorando de 22 páginas disponibilizado no site do parlamento, a AGECOP explica o que acha que pode ser modificado neste projecto de lei e defende as suas ideias com "factos" (e não digo nada sobre as aspas porque prometi que não iria falar mais de uma certa entidade). Após uma leitura deste documento, posso afirmar que fiquei chocado com as afirmações feitas nele e concluí que estas só podem ter sido feitas para influenciar negativamente os deputados da comissão, porque a hipótese da AGECOP acreditar, de facto, nelas parece-me ainda mais grave que a primeira. Comecemos então a esmiuçar este documento...

 

Os senhores da AGECOP não gostam do termo taxa, preferem que lhe chamem tarifa. Ora para mim uma tarifa implica um tarifário. E normalmente os tarifários podem ser escolhidos (veja-se as tarifas da EDP, os tarifários de telecomunicações, etc...). Por outro lado, as taxas têm que ser pagas e não há escolha de qual a pagar (como, por exemplo, a ECOREEE ou a taxa municipal de esgotos). Como me parece que eu não posso optar pagar a tarifa que me apetece daquelas que o projecto-lei propõe, parece-me a mim que a palavra taxa é mais adequada, apesar de todo o floreado jurídico que a AGECOP utiliza para dizer que não.

 

Continuam a sua missiva querendo acrescentar os adquirintes intra-comunitários à lei e adicionar taxas não só à venda como também ao aluguer. Parece que afinal a AGECOP sempre ouve aquilo que se diz nas redes sociais e percebeu que nós iriamos mudar as nossas compras para os nossos vizinhos espanhois, para o Reino Unido e outros países da União Europeia e, portanto, para nós não fugirmos ao pagamento da taxa, quer que os adquirintes intra-comunitários (vulgo, nós) a paguemos, o que é uma violação dos tratados de livre transito de mercadorias na UE. E ver a UE contra a AGECOP iria ser uma coisa gira de se ver. Não contentes com as receitas que fariam nas vendas (que já eram poucas, por contas de merceeiro feitas no passado), querem alargar o espectro desta lei aos alugueres. Não sei se avariaram de vez da cabeça ou não, mas assim me parece...

 

Parece que a lei actualmente prevê que eu, não fazendo parte de nenhuma entidade que esteja presente na AGECOP, possa reclamar a minha parte das taxas que eles recolhem num período de 20 anos. O que eles não gostam portanto propoem que isso seja alterado para algo entre 1 e 3 anos. É interessante que seja assim, pois assim eles lá ficam com uns trocos que ao contrário poderiam não ficar.

 

Diz a proposta que 10% das receitas da cópia privada são dadas ao IGAC para este o fiscalizar. E agora sim a AGECOP adora o termo taxa. Parece que obrigá-los a pagar é uma taxa e eles obrigarem-nos a pagar é uma tarifa. Estranha utilização das palavras. Indigna-se então a AGECOP de ter que pagar a alguém para fiscalizar se a taxa é ou não paga. Eu diria que não é preciso por 10% a AGECOP estar a fazer este alarido todo porque isso não vai ser pago por eles, e vão acabar por se habituar aos novos preços.

 

E isto é o que a AGECOP tem a dizer sobre o texto do projecto-lei. É a partir daqui que as coisas se tornam interessantes, porque isto foi só a AGECOP a dizer que quer mais dinheiro e isso já todos nós o sabiamos. Isso e que o português da AGECOP é diferente consoante a pessoa a que se estiver a referir. A AGECOP apresenta agora os seus argumentos! Ou, como eu gosto de lhes chamar, "factos".

 

Apresentam-nos um estudo que indica o valor acrescentado bruto desta indústria em Portugal no ano de 2006, tudo isto para dizer que contribuem mais que outros sectores portugueses como a alimentação e bebidas e os têxteis e vestuário. Dizem depois que empregam 2.6% da massa trabalhadora portuguesa, que cresceram em 6 anos 18,6% e que exportam 1,4 mil milhões de dólares (porque eu duvido que a AGECOP saiba quais as diferenças entre o bilião europeu e o bilião americano). E dizem eles, muito contentes, que são um sector exportador. Dizem depois que o sector dos suportes de armazenamento é, na sua larga maioria, um sector importador e que, por isso, o deles é mais importante. Este é o argumento mais infantil que já li até hoje.

 

Continuam a bater no ceguinho e a dizer que a Cópia Privada prejudica os autores e que, como tal, devem ser remunerados. Pois eu continuo a insistir que não consigo perceber como é que os autores saem prejudicados de eu copiar um CD que comprei para o meu iPhone. E a AGECOP continua a insistir em não me explicar como é que eles são prejudicados. Dizem ainda que não se conhece na UE outra forma de compensar os artistas que não levem ao aumento de preços. Eu sugeria olharem para os estados membros que implementaram um sistema de remuneração por fundos estatais, tal como a Espanha vai fazer, que não levam ao aumento de um único centimo no preço dos artigos.

 

E continuam a insistir que quanto maior for o meu disco rígido mais cópias eu vou fazer. Porque a minha máquina fotográfica que não grava mais de 200 fotos em RAW num cartão de 8GB não pode ocupar o espaço. Há dois anos atrás tirei cerca de 1500 fotografias nas minhas férias de verão, se tivessem sido em RAW teriam sido cerca de 60GB de fotos. A minha bibliotececa do Aperture tem 6565 fotografias, tiradas por 4 máquinas diferentes e 2 iPhones. Agora se eu tivesse sempre a minha DSLR e tirasse sempre em RAW, chegávamos aos bonitos valores de 260GB em fotos. E para isso teria que ter um disco de 320GB e pagar à AGECOP para armazenar as minhas fotos.

 

Voltamos ao fantástico mundo do estudo da Intercampus. Aqui já muito foi dito portanto só vou questionar uma coisa: porque será que 85% das pessoas grava música regularmente, 57% filmes e apenas 15% jogos? Será porque a indústria dos jogos se soube modernizar e utilizar a Internet como um método de expansão em vez de a considerar como uma obra de Belzebu?

 

Depois voltamos aos bonitos gráficos de comparação com a UE, onde a AGECOP se apresenta como a santa salvadora da pátria dizendo que os preços são muito muito baixinhos. Como exemplo mostram um leitor de MP3 de 1GB que será taxado em Portugal a 0,50€ enquanto que o valor máximo da UE é 6€(!!!). Esquecem-se de informar quem lê que esse valor de 6€ corresponde a uma taxa cobrada por leitor de MP3 independentemente da capacidade e que se considerarmos que actualmente a média de capacidades de um leitor de MP3 anda por volta dos 16GB a taxa Portuguesa torna-se automaticamente superior àquela que eles dizem ser a maior da UE.

 

Para concluir voltam a colocar-se como salvadores dos consumidores e dizem que quem vai pagar a taxa são os importadores/fabricantes e que não vai haver repercursão ao longo da cadeia porque, obviamente, os importadores/fabricantes vão pagar a taxa a partir das suas margens de lucro. Já tinhamos ouvido isto várias vezes da boca de quem até hoje veio sempre a defender este projecto. Agora o que me chocou mais foi aquele bonito gráfico apresentado neste ponto (o ponto 7). Ora eu que até estudei gestão sei o que isto é! São curvas de procura/oferta. E segundo os senhores da AGECOP, quando eles começarem a cobrar a taxa e os importadores aumentarem o preço (o que eles dizem que não vai acontecer mas metem com toda a clareza num gráfico), a procura vai, imagine-se, aumentar! A ideia deles é como nós ficamos com mais dinheiro nós vamos produzir mais e como o pessoal anda todo rico vai comprar mais. O que não só é extremamente desajustada da realidade portuguesa como também é uma total barbaridade a nível económico. Aquele gráfico é um absurdo.

 

E como o resto do documento está em letras tão pequeninas que eu nem consigo ler, vamos passar à posição defendida pela AGEFE, ou seja, aqueles coitados que vão ter que cortar nas margens a que os Inglêses designam por "razor-thin" (i.e. mais baixas e dão prejuízo). Obviamente que estão 100% contra este projecto de lei e acham que cobrar taxas nos dispositivos que eles vendem é uma barbaridade... Não! Eles até são a favor que se pague aos autores, veja-se! Só não o querem nestes moldes e, como qualquer entidade de olhos abertos (entenda-se quase todas menos a AGECOP), explica o porquê tendo em conta a realidade Portuguesa e Europeia.

 

Começam por referir 2 acórdãos do Tribunal de Justiça da UE (casos PADAWAN e OPUS) e que este projecto-lei viola a directiva 2001/29 da UE. Depois, choque-se o leitor, dizem que a exposição de motivos do projecto-lei é uma mentira! Mas, ao contrário da AGECOP, não dizem que é mentira e porto final. Acontece que a AGEFE explica que é mentira porque 3 estados membros dos referidos abandonaram o sistema de compensações como o querem colocar e que vai contra as iniciativas legislativas iniciadas pela UE para rever os estatutos da cópia privada e modificar as formas de contribuição.

 

Referem que é injusto o sistema nos tempos digitais porque já pagamos pelos conteúdos digitais e esses muitas vezes vêm com formas de limitar o acesso à cópia privada, vulgarmente referidos por DRM. Referem ainda também que o projecto-lei está, mais uma vez, preso ao passado porque se está a dar a mudança para a Cloud e para modelos de streaming que eliminam a necessidade de dispositivos de armazenamento (tal como já tinha referido aqui).

 

Por fim, e puxando finalmente a brasa à sardinha deles, dizem que será um desastre implementar esta lei quando Espanha abandonou uma semelhante porque levaria ao desvio da economia relacionada com estes dispositivos de armazenamento para o país vizinho, uma vez que aí já não há taxas.

 

Peço imensa desculpa pelo post comprido, mas o meu queixo caiu vezes demais ao ler o documento da AGECOP e tinha que exprimir as minhas opiniões.